20 de nov de 2011

Pioneiro: Ivens Lagoano Pacheco

Nascido em 31 de outubro de 1911, na cidade gaúcha de Lagoa Vermelha, Ivens Lagoano Pacheco ganhou esse nome de sua mãe. Ele mesmo descreveu o feito: "Chamo-me Ivens Lagoano Pacheco porque minha mãe achou que eu nascendo em Lagoa Vermelha, precisava usar o nome da terra que me viu dar o primeiro berro e meu umbigo se desligar da placenta".

Em 1927, quando servia o Exército, começou a sua carreira de jornalista com o pseudônimo de "Ipê" escrevendo no "Diário da Manhã". Como o jornalista já era - como continua sendo - uma profissão que remunera mal - Ivens fez concurso e entrou na polícia em 1937, servindo como delegado em Iraí, depois em Palmeira das Missões, Santo Ângelo, Bagé, Passo Fundo e Porto Alegre.

Envolvendo-se em problemas sérios - quando foi obrigado a atirar num marginal, em legítima defesa, sentiu-se decepcionado com o trabalho policial. Somava-se a isto, perseguições políticas, que o abalaram profundamente, seguindo então o que muitos outros gaúchos já vinham fazendo no final dos anos 30: procurar o Eldorado de Londrina.

Ivens, entretanto, procurava um reencontro consigo mesmo e a oportunidade surgiu quando revendo um amigo de juventude no Rio Grande, Vitório do Amaral Cattani (1913-1961), dele recebeu Cr$ 20 mil, com o qual comprou a posse da Ilha do Mutum, onde "com uma bailarina que havia conhecido num bordel de Londrina, 80 anzóis e um revólver, uma Vinchester, machado e facão, mudei-me" como recorda num dos capítulos mais deliciosos de suas memórias.

A vida na distante Ilha do Mutum - vivendo como pescador, pegando sucuris à unha e praticamente exilado da civilização - só foi interrompida quando, por influência ainda de Vitório Cattani, decidiu conhecer Maringá, então um distrito de Mandaguari. E, assim, Ivens "voltava a civilização".

"Cheguei em Maringá encarapitado num caminhão de carga e fui morar na pensão São Benedito, do Joaquim Mineiro. Não trazia nada. Quem sabe só um pouco de nostalgia do imenso sertão que havia deixado". Maringá era uma cidade que nascia. "Era luta, peleia mesmo".

Chegando em Maringá, Ivens lembrou-se de seus tempos de repórter e procurou o "Maringá Jornal" que Olimpo Prompt publicava com a maior irregularidade - pois era alcoólatra. Ivens recorda o encontro: - "Disse-lhe de meu desejo de ser redator. Perguntou-me se eu sabia fazer jornal e, diante da resposta afirmativa, deu-me a chave da redação, mandou que preparasse a edição da próxima semana e foi beber. Fui à sub-prefeitura, visitei o delegado, estive no Bar Central - espécie de Boca Maldita da época, no cartório, à noite ouvi o repórter Esso da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. No dia seguinte, com todas estas anotações, mais um editorial reclamando contra o prefeito de Mandaguari, preparei o jornal. A circulação aumentou e eu ganhei o emprego".

Na época, Samuel Silveira - pioneiro da radiodifusão no Norte - explorava um serviço de alto-falante local, que depois seria a Rádio Cultura. Ali, Ivens também se revelou como comentarista e cronista, fazendo ainda grandes coberturas. Samuel - cujo império radiofônico cresceria nos anos 1960 por todo o Estado - seria um dos sócios (os outros foram Mário Clapier Urbinatti, Helenton Borba Cortes e João Menezes) de Ivens no "Jornal de Maringá", cujo primeiro número circulou em 5 de abril de 1953. Esse veículo de comunicação, originalmente, foi fundado em 1950, por Avelino Ferreira e Leonor do Lago Ferreira.

O jornal era impresso na Literotécnica, de Orlando Ceccom, em Curitiba, para onde Ivens vinha todas as sextas-feiras, voltando às segundas. Mas logo (1954), comprava um linotipo e passava a imprimir o jornal, cuja sociedade assumiria totalmente em 1958. Cícero do Amaral Cattani, 51 anos, editor do "Correio de Notícias", filho de Vitório Cattani, recorda o Ivens jornalista: - "Foi em 1959, no "Jornal de Maringá", que tive meu primeiro emprego como repórter. Ivens não era o dono do jornal: era o repórter, o diagramador, o corretor - o factótum que dava um calor, uma vida especial ao jornal. Com grande visão sabia promover eventos e também lançou a revista "Cartaz", a primeira impressa em off-set no Paraná".

Como jornalista e empresário, Ivens acompanhou toda a evolução de Maringá - desde os seus tempos de distrito de Mandaguari, até a sua elevação a município, em 1951. No ano seguinte, havia a primeira eleição - e o folclore político daquela época de grandes e acirradas batalhas entre petebistas, udenistas e pessebistas.

Mais tarde, mudou-se para Curitiba, onde abriu a Churrascaria Quero-Quero. Ivens Lagoano Pacheco faleceu na capital do Paraná, em 10 de maio de 1980, com 69 anos.

A foto mostra Ivens Lagoano Pacheco, na Avenida Getúlio Vargas, durante o desfile em comemoração ao dia da árvore, na década de 1950.

Fonte: Jornal - O Estado do Paraná - 24/11/1991 / Acervo do IBGE / Acervo Maringá Histórica.

Um comentário: