31 de mar. de 2020

Pioneira: Tomires Moreira de Carvalho

Conteúdo produzido e pesquisado por Marco Antonio Deprá:

Tomires Moreira de Carvalho nasceu às 14h do dia 14 de janeiro de 1921, no distrito de Conceição da Boa Vista, em Cabo Verde, no sul de Minas Gerais, atual município de Divisa Nova.

Filha de Luiz de Carvalho e Silva e de Júlia Cândida Moreira, teve dois irmãos: Benedito, nascido em 22 de dezembro 1918, e Luiz, nascido em 08 de fevereiro 1923.

Tomires foi alfabetizada na Escola Primária Estadual Feminina, da Professora Ordália, em Divisa Nova. Participava ativamente nas peças de teatro, no palco do Clube Dom Pedro Segundo, em sua cidade natal. 

Em 12 de maio de 1931, quando contava 10 anos de idade, perdeu sua mãe. Em seguida, o pai matriculou os filhos em um internato na cidade mineira de Alfenas. Pouco tempo depois, seu pai se casou com Maria Rosa de Araújo, a dona Rosinha.

Em Alfenas, Tomires estudou no Colégio Sagrado Coração de Jesus, onde fez o Curso Normal e recebeu os primeiros ensinamentos de etiqueta, trabalhos manuais e música. Após concluídos seus estudos, regressou à Divisa Nova, onde lecionou no Grupo Escolar Secretário Tristão da Cunha.

Com a morte do pai, em 28 de março de 1943, passou a ajudar o irmão Benedito no pequeno comércio tocado pela família. Desde 1942 seu irmão Luiz fazia o curso de medicina em Curitiba, no Paraná. 

Os jovens irmãos Benedito, Tomires e Luiz.

Em 1949, a família se mudou para Araruva, atual Marilândia do Sul-PR, onde o irmão Luiz já atuava desde 1948 como médico em uma serraria. Lá, a família Moreira de Carvalho fundou uma pequena loja de tecidos.

Tomires, dona Rosinha e Benedito se mudaram para Maringá em 1951, onde foram morar em uma casa no Maringá Velho. Logo depois, o irmão, Luiz, recém-casado com Esmeralda, foi morar junto deles.

Em 1952, depois de o irmão Benedito se casar com Zaia, Tomires e dona Rosinha foram morar sozinhas numa casa na rua Martin Afonso, na Zona 2. Naquele mesmo ano, Tomires foi nomeada professora do 1º Grupo Escolar do Maringá Novo, que depois seria denominado Grupo Escolar Dr. Oswaldo Cruz. Iniciou-se aí sua carreira como professora paranaense, quando assumiu o 4º ano primário durante três anos letivos. Em seguida, ocupou o cargo de primeira orientadora pedagógica, na mesma escola. 

Professores do Grupo Escolar do Maringá Novo, depois denominado Grupo Escolar Dr. Oswaldo Cruz, em 28 de novembro de 1958.

No ano de  1965, Tomires foi requisitada pela recém-criada 32ª Inspetoria Regional de Ensino, que atendia oito municípios, para atuar como coordenadora do Serviço de Orientação Pedagógica na região. Em 28 de janeiro de 1966, foi nomeada para o Serviço de Orientação Profissional de Maringá, por meio do Decreto do Poder Executivo nº 05/1966.

A partir daquele ano, em parceria com o irmão Benedito, lançou a coleção de livros “Estudos Sociais e Ciências Naturais”. Editados pelo Editora FTD, destinaram-se ao Curso Primário, de acordo com o programa oficial de educação do Estado do Paraná. Em 1969, foram vendidos 218.256 exemplares. 


Tomires foi nomeada inspetora de Ensino Primário da 32ª Inspetoria Regional de Ensino sediada em Maringá, em 20 de março de 1969. Ficou no cargo até maio de 1971, quando o colocou à disposição do recém-nomeado governador Haroldo Leon Peres. Entre março e dezembro de 1972, acabou exercendo a função de orientadora pedagógica no Colégio Santo Inácio, em Maringá.

Foi designada para a recém-criada Seção de Cadastro de Recursos Humanos da 32ª Inspetoria Regional de Ensino em 1973, vindo a assumir a chefia daquele setor em 1974. Ficou oito anos na função. 

Participou da Implantação do 5º Núcleo Regional de Ensino de Maringá, onde exerceu a função de coordenadora de Recursos Humanos.

Em 3 de agosto de 1974, em coautoria com Nilsa Alves de Melo e o irmão Benedito Moreira de Carvalho, Tomires lançou a coleção de livros didáticos “Vivo e Aprendo”, destinada a alunos das quatro séries do primeiro grau. Novamente editada pela Editora FTD, a coleção foi aprovada e distribuída em todo o Brasil pelo Instituto Nacional do Livro. O evento de lançamento ocorreu no gabinete do então prefeito Silvio Magalhães Barros, com a presença do secretário municipal de Educação, professor Cláudio Ferdinandi. Em 1975 foram vendidos em todo o país 296.735 exemplares da obra.



Em 14 de outubro 1975, Tomires e as professoras Adaile Maria Leite, Irene Kolicheski Hein, Maria Etelvina Roque, Maria Jandira Freitas Marangoni, Odete Alcântara Rosa e Stefânia Moreno Perri, receberam homenagens pelos 25 anos dedicados ao magistério. O evento foi realizada no Centro Português de Maringá, com a presença das seguintes autoridades: Silvio Magalhães Barros, prefeito municipal; Dirce de Aguiar Maia, primeira professora de Maringá; Nadyr Maria Alegretti, secretária municipal da Cultura, Desportos e Turismo; Cláudio Ferdinandi, secretário municipal de Educação; Ary Pereira Braga, representando José Machado Homem, Inspetor Regional de Ensino; Abel Tonon, presidente da Associação dos Professores de Maringá; padre Sidney Luiz Zanettini, Cura da Catedral; Pastor Nilton Tuller, presidente do Conselho de Pastores.

Prefeito Silvio Magalhães ladeado por sua esposa Bárbara e por Dirce de Aguiar Maia, 1ª professora de Maringá, e as professoras homenageadas, da esquerda para a direita: Maria Jandira Freitas Marangoni, Adaile Maria Leite, Odete Alcântara Rosa, Stefânia Moreno Perri, Maria Etelvina Roque, Tomires Moreira de Carvalho e Irene Kolicheski Heim. À direita, Nadyr Maria Alegretti, Secretária da Cultura, Desportos e Turismo.

Tomires se aposentou em 1983, sem ter usufruído de nenhuma licença especial. Ficou conhecida em todo o Paraná por meio das apostilas (cadernos mimeografados) que preparava, com a finalidade de facilitar o trabalho dos professores e alunos. Nas palavras de suas colegas de trabalho: 

“[...] consciente de sua missão, mais que profissão, Tomires deixou um exemplo de coerência, de dedicação e de amor ao magistério. Sempre cordial, pronta para resolver os problemas que se lhe apresentavam, foi o fio-terra a quem todos se dirigiam para as decisões finais. Condizente com os princípios legais, sempre fez de seu trabalho um exemplo a ser seguido e imitado. Com formação cristã, sempre teve atitudes na vida real que deixaram transparente a sua fé. ”


Tomires sintetizou a sua vida de professora com esta oração:

“Obrigada, Senhor, pelo amparo, saúde, disposição e, sobretudo, pelo prazer de servir que me deste durante esta longa carreira.”


Por muitos anos, Tomires foi voluntária da entidade filantrópica Obra do Berço, fazendo enxovais para os bebês desamparados. Muito católica, participou ativamente do grupo do Apostolado da Oração, na Catedral de Maringá.

Em 29 de dezembro de 1984 ocorreu o falecimento de dona Rosinha. No ano seguinte, Tomires passou a residir com o irmão Benedito, a cunhada Zaia e os sobrinhos Flávio e Benê, num apartamento do Edifício Dona Eulália, em Maringá. 

Tomires faleceu em 31 de março de 1987, aos 66 anos de idade. Por ser uma das pioneiras da educação em Maringá e por ter participado ativamente de ações de ensino e aprendizagem, Tomires foi homenageada pela comunidade local, quando passou a emprestar seu nome à Biblioteca Pública do Mandacaru, inaugurada em 11 de agosto daquele mesmo ano, e ao Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (CEEBJA), inaugurado em 13 de maio de 1996, que funciona dentro da Penitenciária Estadual de Maringá (PEM).

Tomires nunca se casou nem teve filhos. Dedicou-se à família e ao magistério. Era muito querida pelos sobrinhos, que ajudou a educar. Tinha muitos afilhados. Seu nome também foi dado a algumas meninas nascidas em Maringá, incluindo sua sobrinha, filha do irmão Benedito.

Fonte: Acervo Marco Antonio Deprá / Texto e pesquisa - Marco Antonio Deprá.

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