Rancho de colono - Década de 1940

1940


Ao contemplar a fotografia de um rancho de tábuas na década de 1940, é fácil ser levado pela ilusão de que a história de Maringá se resume ao seu arrojado planejamento urbano. No entanto, por trás dos traçados modernistas projetados para a cidade, a verdadeira força que desbravava o “Norte Novíssimo” estava embrenhada na mata fechada.

A realidade demográfica da época expõe esse contraste. Conforme os dados do Censo Demográfico de 1950 (IBGE), o então distrito de Maringá, ainda pertencente ao município de Mandaguari, abrigava uma população de 38.588 habitantes. Longe do dinamismo e das estruturas que começavam a se formar no núcleo urbano, impressionantes 81,16% dessa população (31.318 pessoas) viviam na zona rural. Apenas 7.270 moradores (18,84%) ocupavam as zonas urbana e suburbana.

Para a maioria dos migrantes atraídos pela promessa da “terra roxa” e pela expansão cafeeira, o cotidiano no campo era marcado por severas provações. Morando em habitações precárias de madeira rústica, sem energia elétrica, água encanada ou saneamento básico, esses pioneiros enfrentavam o isolamento social, estradas de terra tomadas pela lama nas chuvas e a escassez de assistência médica. O sustento vinha do trabalho braçal e exaustivo na derrubada da mata, no plantio dos cafezais e nas lavouras de subsistência.

A pujança econômica que alavancou a emancipação política em 1951 foi erguida sobre o suor e o sacrifício dessas famílias rurais. Resgatar essa memória é reconhecer que, antes de se tornar polo regional, Maringá foi forjada pela coragem e pelas dores dos colonos do campo.

Fontes: Museu Bacia do Paraná / Acervo Maringá Histórica. 

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