Obras em ritmo lento na Catedral - 1968

1968


Na capa da Folha do Norte do Paraná de 4 de agosto de 1968, uma fotografia atualizava os leitores e fiéis maringaenses. Ainda envolta por andaimes de madeira, as capelas da futura Catedral Nossa Senhora da Glória começavam a surgir na paisagem urbana da jovem cidade. 

Quando a imagem foi publicada, as obras já avançavam havia quase uma década e, mesmo assim, as obras seguiam em ritmo lento. Idealizada por Dom Jaime Luiz Coelho e projetada pelo arquiteto José Augusto Bellucci, a nova catedral começou a ser construída em julho de 1959. Inspirada nas linhas dos foguetes espaciais que fascinavam o mundo durante a corrida espacial, sua forma cônica representava a ascensão do homem a Deus e rompia completamente com os padrões tradicionais da arquitetura religiosa brasileira.

A construção exigiu um esforço coletivo extraordinário. Além das contribuições dos fiéis, a obra recebeu doações de empresas, produtores rurais e instituições financeiras. Sacas de café, materiais de construção e recursos arrecadados em campanhas comunitárias ajudaram a erguer a gigantesca estrutura de concreto armado, considerada uma ousadia para a época.

Em 1968, havia críticas da comunidade sobre a morosidade da obra. Segundo algumas pessoas próximas, Dom Jaime Luiz Coelho utilizou o mote do novo templo para redirecionar recursos para a construção do Seminário Diocesano. 

Apenas no início da década de 1970, tendo o agropecuarista Joaquim Romeiro Fontes à frente da comissão pró-construção, que a construção da nova Catedral Nossa Senhora da Glória ganhou celiridade. 

Parcialmente concluída, em 10 de maio de 1972, durante as comemorações dos 25 anos de Maringá, a primeira missa foi celebrada no interior da gigantesca estrutura.

Hoje, a Catedral Nossa Senhora da Glória, elevada à basílica menor, é reconhecida internacionalmente como um dos mais importantes marcos da arquitetura moderna brasileira. Com 124 metros de altura, incluindo a cruz do topo, permanece como a mais alta catedral da América Latina e o principal cartão-postal maringaense. Seus vitrais, projetados por Lorenz Helmair, e os painéis internos de Zanzal Mattar completam uma obra que ultrapassou sua função religiosa para se tornar um símbolo da identidade da cidade.

Fontes: Folha do Norte do Paraná, 4 de agosto de 1968 / Gerência de Patrimônio Histórico de Maringá / Acervo Maringá Histórica.

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