A Família Krosnowski, pioneira da industrialização de Maringá

1971

Com texto de Marco Antonio Deprá

Zygmunt Tabasz Krosnowski nasceu na Rússia no dia 05/06/1901 em uma tradicional família católica polonesa. Seu pai, Stanislaw Krosnowski era engenheiro químico polonês que se formou na Suíça e abriu uma fábrica de tintas em São Petersburgo, então capital da Rússia. Nessa época a Polônia estava sob domínio russo.

Em 1917 a Revolução Bolchevique derrubou a monarquia russa e levou os líderes socialistas ao poder. Em 1918, com o fim a 1ª Guerra Mundial, houve negociações entre as potências aliadas e líderes russos para a independência da Polônia. Em 1919 a família Krosnowski voltou para a Polônia.

Ainda no início de 1919, a Rússia Soviética iniciou o processo de expansão do comunismo na Europa Central e invadiu a Polônia. Teve início então a Guerra Polaco–Soviética. Zygmunt, então com 18 anos, se alistou no novo e independente exército polonês e ajudou a repelir a invasão soviética, que terminaria somente em março de 1921, quando foi assinado o Tratado de Riga. 

Após esse período, na Polônia já independente, Zygmunt serviu durante vários anos como oficial do Exército Polonês, onde foi enviado como adido militar em Harbin, capital da província Heilongjiang, a mais setentrional da China, lá servindo durante vários anos.

Após voltar para a Polônia, Zygmunt abriu uma empresa de exportação que teve êxito até setembro de 1939, quando a Alemanha nazista e a União Soviética invadiram a Polônia dando início à II Guerra Mundial. Zygmunt então lutou na tentativa de repelir a invasão russa e germânica. 

Com o colapso da resistência polonesa, Zygmunt foi para a Inglaterra onde entrou na divisão do exército polonês das forças inglesas, combatendo os alemães juntamente com os ingleses.

Zygmunt se casou na Inglaterra com Zofia Celarek Tabasz Krosnowski, nascida em 02/05/1917 em Cracóvia, na Polônia.  

Entre 1942 e 1944, Zygmunt Krosnowski foi diretor da unidade da Agência de Inteligência Independente "Estezet", uma instalação de inteligência polonesa nas Américas, sediada em Nova York. As principais tarefas daquela organização eram a observação da situação militar e política dos países das Américas, a condição e desenvolvimento da diáspora polonesa, a agitação e penetração do comunismo com ênfase especial em sua atitude em relação aos Estados Unidos e Canadá e assuntos polacos. Ela também tratou da condição, desenvolvimento e atitude das sociedades ucranianas e da análise da imprensa minoritária (polonesa, alemã, ucraniana, tcheca, eslovaca, lituana e judia).

Após o final da II Guerra Mundial, Zygmunt e Zofia não voltaram mais à Polônia, pois aquele país estava invadido pela União Soviética. Ainda nos Estados Unidos, obtiveram a cidadania americana e estabeleceram uma empresa de exportação, passando a fazer muitos negócios com o Brasil, pelo menos desde 1948.


Fotografia de Zygmunt Krosnowski, em 1948.

Em 1951, em uma de suas viagens ao Brasil, o casal Krosnowski ficou hospedado no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Em 1952 Zygmunt investiu bastante capital no Brasil em negócios e fazendas de café. No final de 1953, Zygmunt e Zofia viajaram de Santos para Nova York. Naquela época, o casal residia na Church Street, 50, em Nova York.


Fotografia de Zofia Celarek Tabasz Krosnowski em 1950.

A única filha do casal, Lucia Helen Mary Krosnowski nasceu em Nova York no dia 07/06/1956. 

Em 24/02/1959, Zygmunt, Zofia e Lucia Helen residiam na Rua Epitácio Pessoa, nº 94, em São Paulo. Naquele mesmo ano, Zygmunt requereu a nacionalidade brasileira, conforme comprova a edição do Diário Oficial da União, de 20/11/1959.

Em 1971, Zygmunt criou a primeira indústria brasileira para fabricação e comercialização de carvão ativado a partir do processamento de osso bovino. Dentre outros fins, o produto era utilizado no processo de refinação de açúcar e de purificação de água e até então tinha que ser importado de outros países. A fábrica foi a primeira a ser instalada no Parque Industrial I, em Maringá, no Paraná.

A empresa Z. K. Indústria e Comércio de Carvão Ativado Ltda., inscrita no CNPJ nº 79.361.002/0001-66, foi registrada em 26/11/1971.  Sua instalação foi financiada pelo Banco de Desenvolvimento do Paraná S.A. – BADEP.

Zygmunt adquiriu um imóvel no centro de Maringá, situado na Rua Santos Dumont, nº 3018, onde passou a residir. Sua esposa e a filha, nesta época, residiam na Avenida Angélica, nº 736, em São Paulo.

A filha Lucia Helen realizou seus estudos na Associação Escola Graduada de São Paulo, uma entidade fundada em 1929 para preparar os filhos de executivos vindos dos Estados Unidos para as faculdades norte-americanas. Em 1974 iniciou o curso de Engenharia Química na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.


Fotografia de Lucia Helen Mary Krosnowski, em 1973.

No final da década de 1970, a Prefeitura de Maringá começou a receber diversas reclamações de moradores da cidade em relação à fumaça e o mau cheiro exalados pela fábrica de Zygmunt Krosnowski. A edição de 22/01/1977, de O Diário do Norte do Paraná, informava que a fábrica de carvão poderia ser fechada e que o chefe do 15º Distrito Sanitário de Maringá, Antonio Godinho Machado, estava iniciando mais uma ação sanitária visando eliminar os focos de poluição que começam a ser formados na região.

Após a conclusão do curso de Engenharia Química, Lucia Helen iniciou o mestrado na Escola de Engenharia Química do Georgia Institute of Technology, em Atlanta, Geórgia, Estados Unidos, o qual foi concluído em junho de 1983.

No início de 1984, Lúcia Helen e sua mãe passaram a residir em Maringá, em um apartamento do Edifício Leonardo da Vinci, situado na Avenida XV de Novembro, nº 351.

Em 01/03/1984, Lucia Helen foi contratada como professora da cadeira de Operações Unitárias do curso de graduação de Engenharia Química na Universidade Estadual de Maringá. Atuou na instituição por cerca de três anos, quando se licenciou para realizar doutorado nos Estados Unidos, porém não o concluiu por questões pessoais. Seu desligamento na UEM ocorreria em 01/02/1989.

Devido a problemas de saúde, Zygmunt foi obrigado a deixar a empresa. Faleceu em 17/05/1987, aos 85 anos de idade durante o sono, em função de uma parada cardíaca em seu domicílio na Rua Santos Dumont. A partir de então, Lucia Helen e sua mãe Zofia passaram a administrar a empresa.

A edição do Jornal Agrícola, de 19/07/1987, de Maringá, assinada por Rogério Recco, informava que naquela época a empresa exportava para os Estados Unidos, Austrália, Colômbia e Nova Zelândia. No mercado nacional, os maiores compradores eram os estados de São Paulo e Pernambuco. O produto era vendido para grandes refinarias de açúcar, como a Açúcar União, Amorim Primo e Refinaria Açúcar do Norte. À época, a empresa produzia 100 toneladas mensais de carvão ativado com matéria prima (ossada bovina) vinda da região Norte do Paraná, do Mato Grosso do Sul, do Paraguai e da Argentina. Era a única da espécie na América Latina. No mundo poucas empresas produziam carvão ativado: Mac Donald, na Inglaterra; Staufffer Company, nos Estados Unidos; outras três localizadas no Egito, Índia e Japão.


Lucia Helen na fábrica de carvão ativado.

Por meio da Lei Municipal nº 2266, de 12/11/1987, proposta pelo vereador Ricardo Antonio Balestra, a Rua “A”, localizada no Parque Industrial I, foi denominada Rua Zygmunt Krosnowski. Era nesta via pública que ficava a sede da empresa Z. Krosnowski & Cia. Ltda.

Lucia Helen e sua mãe tinham cidadania americana e mantinham residência nos Estados Unidos para onde iam com frequência, também por questões comerciais. Em 13/02/1991, Lucia Helen, então com 34 anos de idade, casou-se com o também americano Thomas Edgar Avants, na cidade de Winston-Salem, na Carolina do Norte. Lúcia passou a assinar seu nome como Lucia Helen Avants.

No início da década de 1990, a empresa Z. Krosnowski ainda era acusada de poluir o meio ambiente. A edição de 29/08/1992, de O Diário do Norte do Paraná, informava que o chefe regional do Instituto Ambiental do Paraná - IAP, Paulino Mexia, autuou a empresa por lançar gases gerados da calcinação de combustíveis de carvão mineral com alto teor de enxofre. Este tipo de combustível soltava fuligem e gases de enxofre prejudiciais ao meio ambiente. A denúncia foi formulada à Promotoria de Defesa do Consumidor. A empresa foi autuada e recebeu multa. Além disto, a empresa deveria apresentar no prazo de 10 dias ao IAP um projeto para a desativação e sua respectiva transferência para outro local. 

A fábrica continuou suas operações até 1999, quando encerrou suas atividades.


Imagem Google Earth – Região Nordeste da cidade de Maringá com a localização da empresa Z. Krosnowski e Cia. Ltda.

Zofia Celarek Tabasz Krosnowski faleceu em 25/03/2001, após complicações devido a uma fratura no fêmur, provocada por uma queda. Estava com 83 anos de idade. 

Lucia Helen Avants faleceu em 24/09/2005 no Holmes Regional Medical Center, em Melbourne, Flórida, EUA. Estava divorciada e sem filhos. Contava 49 anos de idade. Seu corpo foi cremado no Crematório Foutainhead, em Palm Bay, no mesmo estado norte-americano. As suas cinzas foram sepultadas no Cemitério Municipal de Maringá, junto com os restos mortais de seus pais. 

Fontes: texto e contribuição de Marco Antonio Deprá / Arquivo da Câmara Municipal de Maringá / Arquivo do Cemitério Municipal de Maringá / https://www.familysearch.org/pt/ / Acervo O Diário do Norte do Paraná / Depoimentos pessoais / Acervo Maringá Histórica. 

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