Zanzal Mattar

1971


Apesar de ter emprego estável na Copel como técnico em eletricidade, em 1971, Zanzal Mattar trocou de carreira e optou pelo mundo das artes. Na época, já era pai de quatro filhos. Abandonou também o curso engenharia civil, o qual estava no terceiro ano. Foi uma reviravolta para forjar o personagem que ficou conhecido na história local e regional. 

Levando a cabo os elogios que amigos lhe faziam desde a época de escola em suas pinturas, Zanzal Mattar foi em busca de seu sonho de viver como artista. Montou na avenida São Paulo, entre a avenida XV de Novembro e a rua Néo Alves Martins, o Ateliê Picasso. Embora pequeno, o espaço manteve grande prestígio com sua sala cheia de quadros para venda, seguida de corredor, espaço para produção e depósito. 

No teto desse seu ateliê havia uma decoração de cordéis estendidos, enquanto que o chão era forrado com pedaços de carpetes de várias cores. 

Segundo matéria veiculada em outubro de 1985, Zanzal, que era filho de um argentino, fora influenciado pelo tio que era padre, formando sua personalidade caprichosa, criativa e religiosa. "Os pintores, escritores, poetas, jornalistas, têm uma coisa em comum: individualismo. As pessoas geralmente não sabem a diferença entre olhar e ver. Olham mas não veem. Nossa missão é mostrar como vemos as coisas, registrá-las. A arte é um meio de comunicação que existe há milhares de anos", destacou o artista naquela oportunidade. 

Zanzal Mattar era um autodidata. Orgulhava-se de sua versatilidade: pintor, gravador, escultor, entre outras habilidades. 

Na década de 1980, suas obras eram comercializadas entre 200 mil e 2 milhões de cruzeiros. Nunca tomou partido, buscava neutralidade, embora defendesse que gestores públicos devessem estimular mais as artes e a cultura nas escolas.


Também era um crítico dos intermediadores no mercado da arte. Chamados de "merchands", Zanzal Mattar reiterou que, na maioria das vezes, são eles quem, de fato, ganham dinheiro. Citou, naquela oportunidade, que Alfredo Volpi, um dos maiores pintores brasileiros ainda vivos em 1985, que era seu amigo pessoal, morava em um pequeno espaço na capital paulista, referindo-se ao complexo modelo do mercado das artes no país. Mas confessou "(...) que todo artísta é um mau negociante". 

Até 1985 havia pintado, segundo ele próprio, mais de 3 mil quadros. Entre 1974 e 1978, expôs em salões em São Paulo, Paraná e Santa Catarina. 


Ao longo de sua carreira ainda produziu, sob encomenda, para diversos clubes de serviço, associações, sindicatos e órgãos públicos, além de instituições privadas e religiosas. São obras que estão espalhadas em vários locais da cidade, como no interior da Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória, onde consta a via sacra. Narrativa que também desenvolveu para a Paróquia Cristo Ressuscitado, além dos murais na Gruta Nossa Senhora de Lourdes.  

Zanzal Mattar também tem obras expostas fora de Maringá, como um painel que está na Catedral de São Sebastião e Nossa Senhora do Carmo, em Paranavaí, ou mesmo os vários quadros seus que foram entregues aos então príncipes do Japão, Michiko e Akihito, quando de sua visita oficial ao Norte do Paraná, em junho de 1978. Teve um quadro seu que Dom Jaime Luiz Coelho entregou ao então papa João Paulo II. 

Depois disso, ainda produziu outras importantes obras pela cidade, como o painel externo do Fórum Estadual na avenida Tiradentes; diversos painéis internos para as agências da cooperativa Sicredi - espalhadas por diversas cidades; o troféu do Empresário do Ano, solenidade realizada pela Apras, Acim, Sivamar e Fiep; o troféu do prêmio Jovem Empreendedor, promovido pelo Conselho Permanente do Jovem Empresário de Maringá, o Copejem; entre outros. 

Certamente, o artista produziu mais algumas milhares de obras nos anos que sucederam. Ao todo foram 50 anos de carreira artística, pois Zanzal Mattar foi vitimado pela Covid-19 em 19 de março de 2021. Estava com 78 anos. 

No final de sua vida, estava dedicado em produzir um busto de Dom Jaime Luiz Coelho. Mas desejava mostrar o arcebispo emérito de Maringá de uma forma pouco usual, de óculos. Ocorre que até a década de 1980, Dom Jaime se deixava fotografar com seus óculos que tinha uma grossa armação preta. Assim era a visão do arcebispo através dos olhos do artista. A obra nunca foi concluída até onde se sabe. 

Seu ateliê, que foi transferido para a rua Darci Varga, nº 50, próximo ao Bosque II, vem sendo mantido por seus familiares. 

Fontes: O Diário do Norte do Paraná de 19 de outubro de 1985 / Gerência de Patrimônio Histórico de Maringá / Acervo Maringá Histórica. 



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