1984

Em 21 de julho de 1984, O Diário do Norte do Paraná publicou uma reportagem sobre as ações destinadas às famílias que viviam em condições precárias em Maringá. Sob o título “Desfavelar a cidade, uma meta”, a matéria apresentava uma iniciativa da Secretaria Municipal de Promoção Humana e Assistência Social, então dirigida por Valério Odorizzi, que previa a construção de aproximadamente 100 residências populares nas proximidades do Núcleo Habitacional Santa Felicidade, próximo ao Conjunto Cidade Alta. À época, estava sob o comando do médico Said Felício Ferreira.
Conhecido como Profilurb (Programa de Financiamento de Lotes Urbanizados), o núcleo foi criado pelo Banco Nacional da Habitação (BNH) na década de 1970. Implantado durante a gestão de Silvio Magalhães Barros (1973–1977), o conjunto integrou as iniciativas de reassentamento de famílias que viviam em ocupações precárias, entre elas moradores da Favela Cleópatra, situada nas imediações do Cemitério Municipal.
Chamada “desfavelização”, a segregação socioespacional não começou naquele período. Desde o início dos anos 1960, durante a primeira gestão de João Paulino Vieira Filho, a remoção de barracos já mobilizava o poder público e provocava críticas. Ao retornar à Prefeitura, em 1977, João Paulino deu continuidade às ações, incluindo demolições e transferências de famílias para moradias populares pela cidade ou, em alguns casos, para municípios vizinhos.



Embora apresentadas como medidas de ordenamento urbano e enfrentamento da precariedade habitacional, essas políticas também deslocavam populações pobres de áreas ocupadas para outras regiões, nem sempre próximas de suas redes de apoio e oportunidades de trabalho. Sob essa perspectiva, podem ser analisadas como parte de um processo de higienização social, no qual a reorganização do espaço urbano se sobrepunha, por vezes, às necessidades e aos vínculos comunitários dos moradores.
Fontes: O Diário do Norte do Paraná, 21 jul. 1984 / Acervo Maringá Histórica.
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