Tertulino Ribeiro dos Santos – Uma pequena biografia

1947

Com texto de Marco Antonio Deprá.

Tertulino Ribeiro dos Santos nasceu em 07/11/1928 em Mutuípe, na Bahia, cidade localizada no sudeste baiano a 247 km da capital Salvador. Era filho de Antonia Serapiana de Jesus e Argemiro Ribeiro dos Santos.

Assim como milhares de vítimas dos períodos de seca e de crises econômicas que assolavam o interior nordestino brasileiro, Tertulino também migrou para o sul do país em busca de melhores condições de vida.

Com 18 anos completos, Tertulino chegou a Maringá em 1947, ano em que a Companhia de Terras Norte do Paraná inaugurou o Maringá Novo.

Como tudo estava para ser feito, Tertulino ajudou a derrubar a mata e abrir as ruas da cidade.

Aos poucos, Tertulino juntou dinheiro e comprou uma pequena casa em Maringá, na região da antiga Vila Morangueira.

Voltou então para Mutuípe para reencontrar Matilde, seu grande amor. Matilde Almeida de Jesus também nasceu em Mutuípe (BA), no dia 26/06/1932, filha de Maria dos Santos de Jesus e Claudemiro Almeida.

No dia 16/09/1953, Tertulino e Matilde se casaram em Mutuípe. Ao se casar, Matilde passou a assinar seu nome como Matilde Jesus dos Santos. Logo em seguida, o casal fez as malas e rumou para Maringá, cidade onde nasceriam seus nove filhos.

Imagem da Avenida Brasil, no Centro de Maringá. No centro da imagem vê-se o Palace Hotel.

Por muitos anos, Tertulino foi porteiro do Palace Hotel, localizado na Avenida Brasil, nº 3817, entre as avenidas Duque de Caxias e Getúlio Vargas. Foi durante este período, nos dias 23 e 24/11/1967, que aconteceu um triste episódio da história de Maringá: a tortura e morte de Clodimar Pedrosa Lô, um jovem cearense de 15 anos nascido em Parambu, no Sertão dos Inhamuns, que, assim como Tertulino, migrou do nordeste para Maringá em busca de melhores condições de vida. Clodimar também trabalhava no hotel como mensageiro e auxiliar de serviços gerais. Foi um período muito triste e difícil para os funcionários do hotel.

Tertulino Ribeiro dos Santos com o uniforme de porteiro do Palace Hotel.

Assim que deixou o Palace Hotel, Tertulino resolveu tornar-se empresário. Abriu uma pequena quitanda na Vila Operária, porém o empreendimento teve curta duração.

A vida nunca foi fácil para Tertulino. Sem estudo, seus rendimentos eram pequenos para criar seus filhos. Quando a prefeitura resolveu pavimentar as ruas do bairro onde morava e sem condições de arcar com o custo do asfaltamento, Tertulino decidiu vender a propriedade, já valorizada, e adquirir outra residência de menor valor em outra região da cidade.

Foi assim que adquiriu a propriedade na borda sul da Zona 2. Foi ali que a família residiu por muitos anos, numa casa de madeira localizada na então Avenida Beckman, hoje denominada Avenida Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, nº 624, quase na esquina com a Rua Estácio de Sá, bem ao lado da atual Loja Maçônica Paz e Amor. O imóvel continua de propriedade da família até os dias atuais.

Casa onde Tertulino e família residiram, na Avenida JK, na Zona 2. Imagem de 11/10/2021.

A partir de então, Tertulino passou a ser cambista, nome pelo qual eram conhecidos os bilheteiros, vendedores de bilhetes das loterias federal e estadual, muito comuns nas últimas décadas do século XX.

Tertulino Ribeiro dos Santos, cambista vendedor de bilhetes.

Tertulino e Matilde tiveram nove filhos sendo que o quarto faleceu aos três meses de idade. Os filhos, pela ordem são:

- Aurelina;
- Gedalva;
- Melchiades;
- Dalva;
- Oronilde;
- Antonia;
- Tertuliano;
- Durval.

Tertulino faleceu muito cedo, no dia 03/11/1977, aos 48 anos de idade, vítima de uma cardiomiopatia. O atestado de óbito foi assinado pelo Dr. Hélenton Borba Cortes. Deixou viúva e oito filhos, sendo dois deles maiores de idade. Seu corpo foi sepultado no Cemitério Municipal de Maringá.

Logo após o falecimento de Tertulino, a filha Aurelina se mudou para Campinas (SP). Com o tempo foi seguida pelos irmãos Dalva, Oronilde, Antonia e Durval e pela mãe Dª Matilde.

Por meio da Lei Municipal nº 3104, de 16/04/1992, a Rua nº 39.046 situada nos Conjuntos Residenciais Cidade Alta I e II, na Zona 39, em toda a sua extensão, foi denominada Rua Pioneiro Tertulino Ribeiro dos Santos, em homenagem ao baiano de Mutuípe. A Lei foi assinada pelo prefeito Ricardo José Magalhães Barros, por Tércio Hilário de Oliveira, Chefe de Gabinete do Prefeito, por Marco Antônio Araújo da Rocha Loures, presidente da Câmara Municipal e pela primeira secretária da Câmara, Jacira Martins.

Na apresentação do projeto de lei, o autor vereador Aristides Conteçotto justificou que Tertulino era conhecido como o pai de todos, pois morreu pobre, ajudando muitas famílias que não podiam pagar os gêneros de primeira necessidade. Concluiu dizendo que seu nome deveria ser lembrado como desbravador desta pujante cidade.

Matilde faleceu em 10/04/2015 no Hospital Municipal de Paulínia (SP), em função de sequelas de um traumatismo craniano. Tinha 82 anos de idade. À época, morava com a filha Oronilde na Rua São Francisco de Assis, nº 344, Parque Residencial Regina, em Sumaré (SP). Seu corpo foi sepultado no Cemitério Parque Nossa Senhora da Conceição, em Campinas (SP). Matilde deixou seis filhos. Aurelina e Tertuliano já haviam  falecido, também em Campinas.

Imagem Google – Cidade de Maringá – Em vermelho, na parte inferior da imagem, a Rua Pioneiro Tertulino Ribeiro dos Santos, com 570 metros de extensão.

Atualmente, de todos os filhos de Tertulino e Matilde, apenas Gedalva e Melchiades vivem no Paraná: Gedalva em Sarandi e Melchiades em Maringá.

Fontes: Acervo da Família de Tertulino Ribeiro dos Santos / Texto e contribuição de Marco Antonio Deprá. 



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