1970

A imagem registra uma das faces menos conhecidas da história de Maringá. Provavelmente produzida na década de 1970, a fotografia retrata moradias precárias, construídas com tábuas irregulares, coberturas improvisadas e chão de terra. O cenário ajuda a compreender as condições de vida de famílias que, apesar de participarem da construção da cidade, não encontravam lugar no modelo de urbanização idealizado para ela.
Um dos principais núcleos de habitação precária era a favela da Vila Cleópatra, também conhecida como favela do Cemitério, por estar localizada nas proximidades do Cemitério Municipal. Ocupada desde a década de 1950, a área abrigava trabalhadores de baixa renda, entre eles migrantes nordestinos e boias-frias.
A situação chegou à Câmara Municipal em agosto de 1963, quando centenas de moradores reagiram às medidas de remoção determinadas pelo prefeito João Paulino Vieira Filho. Vereadores cobraram a suspensão das demolições e a busca por alternativas habitacionais.
Na década seguinte, o problema persistia. Em 1978, durante a segunda gestão de João Paulino, a Prefeitura intensificou a derrubada dos barracos, especialmente na favela Cleópatra. Parte das famílias foi encaminhada para moradias populares na região do atual bairro Cidade Alta; outras foram levadas para municípios vizinhos.
Mais do que registrar construções improvisadas, fotografias como esta revelam as contradições de uma cidade frequentemente associada ao planejamento e à modernidade. A história das favelas de Maringá - existiram outras ocupações irregulares, evidencia que o crescimento demográfico não significou acesso igualitário à moradia, sobretudo, durante processos caracterizados como higienização social promovidos em sua malha urbana.
Fontes: GARCIA, Tatiane Boisa; CORDOVIL, Fabíola Castelo de Souza. Memórias ignoradas: uma narrativa do início de Maringá sob a ótica da habitação popular. Antíteses, Londrina, v. 12, n. 24, p. 204–235, 2019 / Acervo Maringá Histórica.
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