Renato Melito: cinema do Norte do Paraná

1950


Antes de Maringá e Londrina serem registradas em livros, muitas de suas imagens já estavam sendo gravadas em película. Nesse segmento, destaca-se Renato Melito, paulistano nascido em 1918 e que chegou ao Paraná no ano de 1945, após trabalhar com o governador paulista Adhemar de Barros. Em Londrina, estabeleceu a Rilton Filmes e tornou-se um dos principais cinegrafistas do Norte do Paraná dessa fase.

Melito praticava o chamado “cinema de cavação”: produções financiadas por encomendas e publicidade, registrando inaugurações, autoridades, eventos, empresas e transformações urbanas. Seu trabalho, porém, ultrapassou a propaganda. Ao longo de décadas, filmou Maringá, Londrina, Mandaguari, Arapongas, Umuarama, Cascavel e outras cidades, acumulando mais de 100 quilômetros de filmes em 35 mm.

A primeira foto mostra Renato Melito cobrindo o evento de inauguração do Grande Hotel Maringá, em 22 de setembro de 1956. Em suas mãos está, possivelmente, uma câmera Arriflex 35 mm. Ao lado, uma pessoa de apoio surge com um refletor de luz contínua, provavelmente, de tungstênio/incandescente.

Em 6 de outubro de 1962, a Folha do Norte do Paraná também registrava sua incursão política, apresentando-o como candidato a deputado estadual e associando sua candidatura a Adhemar de Barros.


Outra notícia do mesmo veículo, publicada em 25 de julho de 1963, anunciava uma nova empreitada do jornalista e empresário: Melito comunicava à Prefeitura de Maringá que pretendia construir em Londrina a sede da Londrina-Maringá Filmes. A primeira produção de sua nova empresa seria o longa-metragem Sangue da Terra, história original de Amin Adum, adaptada pelo próprio Melito. A obra pretendia narrar o surgimento das principais cidades do Norte do Paraná.


Habituado ao “cinema de cavação”, Renato Melito havia estado na cidade para ajustar detalhes para que  filmasse o baile dos debutantes do Maringá Clube e os VII Jogos Abertos do Paraná, que ocorreriam em breve. 

Melito produziu até 1971. Hoje, esse acervo constitui uma fonte extraordinária para compreender, em movimento, a formação do Norte do Paraná. Inclusive uma Maringá que ele ajudou a transformar em memória cinematográfica.

Fontes: Folha do Norte do Paraná de 6 de outubro de 1962 e 25 de julho de 1963 / Gerência de Patrimônio Histórico de Maringá / Acervo Maringá Histórica. 

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