1970

Poucas fotografias conseguem sintetizar, com tanta simplicidade, o significado do Dia de Finados quanto este registro produzido por Alfredo Dorigão, a pedido do jornalista Elpídio Serra, então redator da Folha do Norte do Paraná. Publicada em destaque na primeira página do periódico, provavelmente no início da década de 1970, a imagem foi feita junto ao Cruzeiro do Cemitério Municipal de Maringá.
O enquadramento não privilegia o espaço do cemitério nem os visitantes, mas um gesto. Em primeiro plano, duas mãos se aproximam das velas acesas, protegendo suas chamas da ação do vento. A composição desloca o olhar da paisagem para a ação humana, transformando um ato cotidiano em símbolo de memória, respeito e permanência.
No contexto brasileiro, o costume de acender velas nos cemitérios durante o Dia de Finados representa uma tradição consolidada desde o século XIX, associada às práticas cristãs de oração pelos mortos e de preservação da lembrança daqueles que partiram. Em Maringá, a data reune milhares de famílias que visitavam os túmulos de parentes e amigos, repetindo rituais que ajudam a construir vínculos entre gerações.
Mais do que documentar uma tradição religiosa, a fotografia expõe uma manifestação silenciosa da memória coletiva. O gesto de proteger a chama revela, simbolicamente, a intenção de manter viva a recordação daqueles que fizeram parte da história familiar e, por extensão, da própria história da cidade.
Fontes: foto e contribuição de Alfredo Dorigão / Acervo Maringá Histórica.
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