Burle Marx e o Bosque I - Anos 1960

1960


Diante de novas fontes, retomamos a interpretação de acontecimentos que acabaram se perdendo no passado. Embora seja conhecida boa parte da história de formatação do projeto que culminou no Parque do Ingá, espaço inaugurado em outubro de 1971, pouco se sabe sobre o envolvimento do paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994) nos debates iniciais que se deram na estruturação de um atrativo no interior da reserva denominada Bosque I.

Segundo publicado pela imprensa local, Burle Marx esteve em Maringá no dia 12 de agosto de 1966. A visita do paisagista teve como objetivo conhecer a cidade e, especialmente, o Bosque I, onde o então prefeito Luiz Moreira de Carvalho pretendia contratar seus serviços para projetar um parque ambiental.

Conforme veiculou a Folha do Norte do Paraná no dia seguinte à visita: "O local foi considerado ideal pelo paisagista para um lago, cancha acústica, zoológico e restaurante". A nota ainda destacou que, junto de Burle Marx, esteve o arquiteto Afonso Leiva Galps.


Dias antes, em 1º de agosto, a imprensa havia noticiado que a Câmara Municipal vetara o Projeto de Lei nº 471/66, pois, dentre outros fatores, entendia-se que não havia necessidade de concorrência pública para "(...) projetar um centro recreativo para Maringá, a ser construído e instalado precisamente no local indicado no Projeto — Bosque nº 1". Para isso, "(...) o Executivo já se entendeu com o renomado (...) Roberto Burle Marx".

O orçamento daquela proposta era de 25 milhões de cruzeiros, segundo divulgado em 14 de setembro de 1966. Então denominado "Centro Recreativo do Bosque nº 1", aquele valor era apenas para o desenvolvimento do projeto pelo escritório de Burle Marx e seria pago em três parcelas. No escopo, previam-se outros elementos além dos já citados, como playgrounds, portaria, casa para o administrador, teatro de marionetes, ilhas para macacos, auditório, aquário, embarcadouro, viveiros para pássaros, bancos, caminhos, sugestões para iluminação e relação de plantas para o lago artificial. O prefeito Luiz Moreira de Carvalho tinha um prazo para acatar ou declinar da proposta.

Em 15 de maio de 1969, a imprensa informou à população que a Prefeitura ainda estava por realizar os levantamentos topográficos do Bosque I, visando à sua urbanização com a implantação de um parque, conforme sugestões que haviam sido feitas por Burle Marx. A nota ainda informou que o paisagista havia estado novamente na cidade, em abril de 1968.

No dia 3 de setembro de 1969, a Folha do Norte do Paraná destacou que representantes do Município estiveram no Rio de Janeiro para dar continuidade àquelas tratativas. O encontro contou com a participação do representante da Companhia de Desenvolvimento de Maringá (Codemar), José Manoel Ribeiro, e do arquiteto e diretor extraordinário do Escritório Técnico de Planejamento (Eteplan). Burle Marx foi consultado sobre soluções paisagísticas capazes de preservar a vegetação nativa, integrar áreas de lazer à natureza e conferir novas funções às reservas ambientais da cidade, com destaque para o Bosque I. O registro evidencia a continuidade do interesse em contratar o paisagista, agora em ação conduzida pela gestão do prefeito Adriano José Valente.

Dias depois, o mesmo periódico destacou, em 24 de outubro, que o prefeito, junto do presidente da Codemar, Marco Antonio Lourenço Corrêa, havia estado no último fim de semana em nova conversa com Burle Marx, em seu escritório, na capital carioca. Em tratativas finais, a expectativa era de que, dentro de pouco tempo, o paisagista apresentaria o projeto de urbanização do Bosque I.

No entanto, não há como precisar, ainda, os desdobramentos daquela relação com o paisagista. Conforme o arquiteto Anibal Verri aferiu junto ao ex-funcionário da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, o engenheiro agrônomo Anníbal Bianchini da Rocha, o Município não teria seguido com a proposta de Burle Marx por considerá-la elevada.

Com diversas parcerias técnicas, o espaço seria inaugurado pouco tempo depois, ainda na gestão de Adriano José Valente, como Parque do Ingá.


Fontes: Gerência de Patrimônio Histórico de Maringá / Folha do Norte do Paraná de 1º e 12 de agosto e 14 de setembro de 1966; de 15 de maio, 3 de setembro e 24 de outubro de 1969 / Acervo Maringá Histórica.

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