1970
Com texto de Marco Antonio Deprá.
Em 1970, o Brasil vivia um período conturbado de sua história, durante o governo do General Emílio Garrastazu Médici, que presidiu o país entre 30/10/1969 a 15/03/1974. Neste momento, houve uma série de políticas de desenvolvimento, que resultaram em um forte crescimento econômico, que ficou conhecido como “Milagre Econômico Brasileiro”.
Na mesma época, também houve a intensificação da perseguição, prisão, tortura e morte de opositores ao regime, que impunha uma ditadura civil-militar aos brasileiros. Simultaneamente, a censura aos meios de comunicação era rigorosa, impedindo que a população soubesse das violações de direitos humanos. Por essas razões, o período também é lembrado como “Anos de Chumbo”.
Muitos dos perseguidos políticos viram-se forçados a deixar o Brasil, buscando refúgio em outros países, dentre eles, Cuba, governada por Fidel Castro. Em tempos de “Guerra Fria”, Havana, a capital cubana, passou a receber muitos exilados brasileiros.
Foi neste contexto histórico que a Seleção Brasileira de Futebol sagrou-se campeã da Copa do Mundo de 1970, realizada no México, entre os dias 31/05 e 21/06 daquele ano. O torneio foi disputado por 16 seleções: 9 europeias, 5 americanas, 1 asiática e 1 africana.
O Brasil disputou suas partidas, durante as fases de grupo, quartas-de-final e semifinais, no Estádio Jalisco, na cidade de Guadalajara, onde venceu as seleções da Tchecoslováquia, Inglaterra, Romênia, Peru e Uruguai.
A partida final, realizada em 21/06/1970, contra a Itália, foi no Estádio Azteca, na Cidade do México, onde o Brasil sagrou-se campeão ao vencer a Itália pelo placar de 4 x 1.
Esse grande feito esportivo foi utilizado pelo governo brasileiro como propaganda ufanista, para legitimar o regime, associando a conquista à imagem de um “Brasil grande e moderno”. Campanhas publicitárias com slogans marcantes, como "Brasil: ame-o ou deixe-o" e "Ninguém segura este país", foram lançadas para gerar orgulho nacional e abafar as críticas internas.
Em 24/09/1970, apenas três meses após o final da Copa do Mundo, Adriano José Valente, prefeito municipal de Maringá, sancionou a Lei Municipal nº 776, que alterou para rua Guadalajara a denominação da rua Havana, situada na Vila Morangueira, na Zona Norte da cidade. A lei havia sido proposta pelo vereador Paulo Vieira de Camargo, presidente da Câmara Municipal de Maringá, filiado à Aliança Renovadora Nacional – ARENA, partido que dava sustentação política à ditadura militar.
Consultando os arquivos do Poder Legislativo de Maringá, não foram encontrados documentos com as justificativas do vereador proponente da matéria. O vereador Tetuo Nishiyama, membro e relator da Comissão de Educação e Cultura da Câmara, também filiado à ARENA, deu parecer favorável à proposta, alegando que “a matéria em apreço é louvável em todos os aspectos. Somos pela aprovação em Plenário”.
A proposta foi aprovada pelos vereadores, por unanimidade, nas sessões plenárias dos dias 1, 8 e 15 de setembro de 1970. À época, a Câmara Municipal de Maringá era composta por 17 vereadores: 9 da ARENA e 8 do Movimento Democrático Brasileiro – MDB, partido que abrigava opositores à ditadura militar brasileira.

Em vermelho, o traçado da rua Guadalajara, originalmente denominada rua Havana. Está situada na Vila Morangueira (em branco), a partir da rua Hawai, próxima ao Parque Alfredo Werner Nyffeler, até a rua Nicarágua.
Vale lembrar que a Vila Morangueira foi um empreendimento do suíço Alfredo Werner Nyffeler, que decidiu implantar o loteamento na área de sua Fazenda Maringá. Foi ele quem decidiu denominar as ruas do novo bairro com nomes de países, estados, províncias, capitais e cidades do mundo.
Fontes: Instituto Isa e Gastão de Mesquita Filho / Acervo Maringá Histórica.
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