30 de mai. de 2020

Traumas e memórias

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Traumas e memórias

Alguns acontecimentos traumáticos marcaram em definitivo a memória coletiva daqueles que os vivenciaram ou que foram seus meros expectadores. 

As memórias são registradas em várias partes de nosso cérebro. Para acessá-las, nosso subconsciente cria caminhos. São rotas que podem possuir atalhos ou serem mais distantes. De certa forma, eventos impactantes que ocorrem diante de nossos olhos tendem a estabelecer percursos mais curtos para que possamos acessar determinadas informações que foram salvas. 

Vejamos um exemplo prático. Se você já tiver nascido em 1994, quando o piloto de Fórmula 1, Ayrton Senna, morreu após acidente sofrido na curva Tamburello na cidade de Ímola, na Itália, é possível que se lembre não só dessa tragédia, mas também de onde estava no exato momento em que assistia aquela corrida. 

A morte de um ente querido também causará uma conexão traumática, que o fará se lembrar de situações que aconteceram naquela determinada data, como uma roupa que vestia ou mesmo o cheiro ou sabor de uma refeição. 

Podemos perceber isso em situações que também não foram presenciadas, mas que integram o imaginário e a memória coletiva. Por meio do projeto Maringá Histórica, que é uma das maiores plataformas virtuais de preservação da memória de uma cidade em todo o país, foi possível constatar por algumas oportunidades esse efeito em manada. 

Durante as festividades do décimo aniversário da cidade de Maringá, localizada no Paraná, um avião da Força Aérea Brasileira acabou colidindo com um mastro que foi instalado na praça central, causando sua queda. O acidente resultou na morte dos dois tripulantes. Documentos indicam que por volta de 4 mil pessoas presenciaram aquele acidente. 

Na época, a cidade possuía aproximadamente 85 mil habitantes. Ou seja, próximo a 4,7% da população teria estado naquele evento. Mesmo assim, ao entrevistar nos dias atuais pioneiros que já haviam se instalado em Maringá naquele ano, em 1957, todos categoricamente afirmam ter presenciado aquela tragédia aérea. 

Nesse caso, a memória coletiva age de maneira direta nas percepções e induções da memória individual, sugerindo que a pessoa teria estado em um evento que, possivelmente, lhe foi contado. O impacto é tão grande que, com o passar dos anos, entroniza-se uma memória equivocada. Essa possibilidade nos expõe a grande risco, pois estima-se que 90% da população mundial passará por, pelo menos, um evento potencialmente traumático ao longo de suas vidas. 

A palavra trauma vem do grego, significando ferida é justamente isso que ocorre. A “ferida”, nesse caso, é o atalho encontrado para acessar situações e dados memorizados. 

Não cabe discutir, nesse artigo, a relação psicanalítica do trauma na vida de cada um que o sofre, mas sim como potencializar sua memória a partir de situações similares. De maneira simplificada, o que acontece nesses casos é que o cérebro foi programado para gravar determinado evento como um gatilho importante para a vida da pessoa. Ao acionar esse dispositivo, entra em operação a capacidade máxima da mente de registrar situações que estão em curso. Inconscientemente, dezenas de dados vão sendo armazenados em nossa memória, mas, que em sua maioria, não sabemos como acessá-los adequadamente. 

Isso se dá pelo fato de não sermos preparados em nossas formações de base, acadêmica ou mesmo técnicas e práticas, para que priorizemos a memória como principal ferramenta de trabalho e desenvolvimento pessoal. 

Quando estamos com a visão prejudicada, procuramos o oftalmologista. Quando temos dores nas costas vamos em busca de ajuda com o ortopedista. Mesmo no campo estético, se algo nos incomoda ou prejudica nosso desempenho, seleciona-se o melhor profissional. Mas quando temos dificuldades em guardar nomes, números, informações de modo geral, a tendência é que assumimos uma postura de “esquecidos”, de que “sempre fomos assim”. 

Primeiro existe um alerta. O problema de “falta de memória”, como popularmente é conhecido, pode estar associado a questões genéticas que dão indícios de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer. No entanto, você também deve se atentar que essa dificuldade certamente irá prejudicar seu desempenho pessoal e profissional. 

Também pode haver a possibilidade de sua falta de memória estar relacionada com o excesso de informações. Isto quer dizer que é necessário focar naquilo que é mais importante para seu dia de trabalho, estudos, enfim. 

Por outro lado, não há pesquisas que possam comprovar, mas existe uma boa possibilidade de a falta de sucesso em objetivos pessoais, sejam eles quais forem, estarem diretamente relacionadas à uma boa memória. Negócios frustrados, famílias destruídas e vícios, de fato, são frutos da falta de análise e interpretação de situações do passado. 

Existem técnicas para aprimorar sua memória, transformando-a em uma potente aliada para a conquista de seus objetivos. 

Você já havia reparado no poder que uma boa memória pode ter?


Fontes:

- www.maringahistorica.com.br 

- https://portalcorreio.com.br/falta-de-memoria-estaria-ligada-a-doencas-e-excesso-de-informacao/ - Visitado em 23 de maio de 2020.

- https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/vida/noticia/2016/04/como-o-corpo-reage-a-um-evento-traumatico-e-as-consequencias-que-essa-memoria-pode-trazer-5778968.html - Visitado em 23 de maio de 2020. 

- BOHLEBER, Werner. Recordação, trauma e memória coletiva: a luta pela recordação em psicanálise. Revista Brasileira de Psicanálise, v. 41, nº. 1. São Paulo: março, 2007.

- MORENOL, Maria Manuela Assunção; JUNIOR, Nelson Ernesto Coelho Junior. Trauma: o avesso da memória. Ágora: Estudos em Teoria Psicanalítica, vol. 15, nº. 1. Rio de Janeiro: Janeiro-Junho, 2012.

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