3 de nov. de 2019

Uma prefeitura para Maringá - 1960

Em 1960, O Jornal de Maringá veiculou uma seção chamada "Lado mau da cidade", onde denunciou diversos problemas urbanos e sociais. 

De modo geral, a população estava desacreditada após as duas primeiras gestões municipais. Os prefeitos Inocente Villanova Jr. e Américo Dias Ferraz desenvolveram projetos importantes, mas a cidade ainda carecia de muito e eles não tiveram habilidade política para conduzir os embates que foram travados. Uma das principais críticas estava voltada à sede do Executivo Municipal. 

Construída ainda quando Maringá era distrito de Mandaguari, a Prefeitura foi edificada na avenida XV de novembro esquina com a então avenida Ipiranga (atual Getúlio Vargas). Segundo relatos, era um espaço degradado e bastante limitado. 

Essa seção do impresso acabou não abordando esse prédio público em suas críticas e houve cobrança por parte de seus leitores. Assim, com texto de Cícero Amaral Catani e foto de Mozart Zimmermann, em 24 de agosto de 1960 foi veiculada uma notícia com o título "Uma prefeitura para Maringá":


"Existiu uma seção diária em O JORNAL em que apresentávamos o 'Lado mau da cidade'. Diversos assuntos foram focalizados mostrando o que há de mau em nossa Maringá. Algo deixou de ser focalizado. Alguém reclamou. Mas vamos explicar porque deixamos de focalizar 'aquilo' que chamamos de Prefeitura. 

Aquele prédio deficiente que abriga dezenas de funcionários e centraliza todas as repartições municipais, e mesmo estaduais e federal. 

Aquele prédio que também sedia os mentores do descalabro administrativo que se assomou na cidade. 

Aquele prédio que não pertence à Municipalidade, porém a uma companhia particular, mas de serviços, a Melhoramentos. 

Aquele prédio que abrigou dois prefeitos, os únicos até aqui. Quando dissemos abrigou fizemos assertivamente, pois o atual já há muito deixou de ser. Ainda falando de prefeitos, os dois foram péssimos administradores. 

Aquele prédio que abrigará um terceiro homem - o Dr. João Paulino ou Vanor Henriques - que, felizmente, saberá bem administrar, coisa que Maringá ainda não conhece. 

Aquele prédio que é um verdadeiro acinte à estética de uma cidade rica e progressista, que é Maringá. E a impressão que o prédio causa ao visitante não é das melhores. Imagina-se, leitor, visitando uma casa onde impera tudo quanto possa depor contra o que mais podemos imaginar sobre matéria de deficiência e improvisação. O que você sentir será o mesmo que sentirá aquele que visitar o prédio da Prefeitura Municipal de Maringá. 

Foi por 'isso' que deixamos de focalizar a Prefeitura como sendo um lado mau da cidade. A nossa impressão foi tão ruim, que apesar de todos os esforços do nosso fotógrafo e a imaginação de nossos redatores, não conseguimos expressar a péssima impressão causada. 

E registramos agora o seu pedido: "Uma prefeitura para Maringá, senhor Prefeito". 

Satisfeito, amigo leitor?"


O prefeito questionado por abandonar a prefeitura era Américo Dias Ferraz que, naquele período, enfrentava sérias dificuldades financeiras em seus negócios particulares, além de ter entrado em rota de colisão com a classe empresarial local. Sem condições de administrar o Município, acabou se afastando, deixando o cargo ao sargento Paulista, seu braço direito. 

Fonte: O Jornal de Maringá - 24 de agosto de 1960 / Gerência de Patrimônio Histórico de Maringá / Acervo Maringá Histórica. 

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