24 de jun de 2011

Américo Dias Ferraz assinou o Gerente da Simca - 1962


A notícia estampou o jornal de maior veiculação do Brasil: Folha de S. Paulo.

O impresso de 25 de julho de 1962 trouxe a seguinte chamada de capa: "Matou o gerente da fábrica com 3 tiros". Eis a matéria na íntegra:

Chamada de capa:

Três tiros de revólver calibre 38, disparados à queima roupa, prostaram sem vida, ontem cedo, o sr. René Jean Roig, no recinto da diretoria da Simca do Brasil S.A. (São Bernardo do Campo), da qual era gerente de vendas.

Porque estava às portas da falência - e atribuía a responsabilidade do fato à vítima - o ex-prefeito de Maringá, Américo Dias Ferraz, alvejou-o na cabeça, após breve discussão. E, entregando a arma a um dos diretores da firma que acorrera ao local, o criminoso aguardou a chegada da Polícia. O corpo do sr. René seguirá, ainda hoje, para a França.


Matéria completa:

Revendedor mata gerente de industria automobilística

Américo Dias Ferraz (38 anos, casado, Av. Rebouças, 2.855) que assassinou o sr. René Jean Roig, gerente de vendas da Simca, há 4 anos negociava com automóveis nesta capital e a partir de janeiro último pretendeu ser revendedor dos carros Simca. Dessa forma, passou a frequentar os escritórios dos diretores dessa firma a fim de obter a concessão. Segundo suas declarações, diversas condições lhe foram impostas: teria que montar uma oficina, devidamente aparelhada, para os consertos dos automóveis, e além disso, construí-la com extensão de mil metros, reservando espaço de 250 metros para exposição dos veículos. Deveria, também, montar imediatamente uma loja para exposição de carros.

Oficina e loja

Tendo concordado com as condições daquela fábrica, adquiriu um terreno de 2 mil metros de extensão em Santo Amaro, Av. Adolfo Pinheiro, por 18 milhões de cruzeiros. Deu 2 milhões de entrada combinando que o restante seria pago em prestações mensais no prazo de um ano.

Trocou um apartamento que possuía em Santos por uma loja na Av. Brigadeiro Luís Antonio destinada a exposição de veículos.

Disse que preocupado com os gastos que fizera e com os compromissos que havia contraído para o pagamento das dividas, procurou novamente o gerente de vendas e explicou-lhe que seus gastos foram além dos 30 milhões de cruzeiros e que necessitaria de um bom número de automóveis para negociar.

Somente traquilizou-se quando obteve resposta de que sua cota lhe permitiria receber mensalmente 30 carros e que talvez com o tempo pudesse chegar a 60.

Carros

Entretanto - afirmou - com o passar dos meses percebeu que a cota havia diminuido. (...) em abril último recebera somente 18 veículos, em maio 6, em junho 3 e durante este mês lhe foram entregues 4 automóveis.

Não se conformando com a situação, resolveu falar com o sr. Roig a fim de que alguma providência fosse tomada. Nessa ocasião, recebeu a promessa de que assim que fosse montada uma possante prensa, que iria aumentar consideravelmente a produção, receberia o restante de sua cota.

Sem concessão

Na quarta-feira última, um agente da Simca - disse Américo, esteve em sua oficina e em conversa (...) informou que sua concessão havia sido encerrada (...)

Dessa forma, o homem enviou dois de seus empregados para conversar com o sr. Roig e ficou estabelecido que iriam fazer um estudo sobre a situação. Posteriormente lhe dariam uma resposta.

O crime


Ontem pela manhã o concessionário resolveu entrevistar-se com o sr. Roig. Após algumas horas de conversação, ficou estabelecido que ele poderia continuar com a oficina autorizada e com direito a uma cota.


Contudo, originou-se uma discussão quanto ao número de carros que lhe iriam ser entregues. Alegava o comerciante que se encontrava cheio de compromissos e que somente poderia satisfazer caso recebesse 25 automovéis. Por seu lado, o gerente afirmava (...) talvez e com o correr do tempo, 10.


Em meio a discussão, Américo, usando um revólver, baleou o gerente. Nesse instante a secretaria Lidia Kahlau (foto), que se encontrava no recinto, gritou por socorro e desmaiou. O sr. Valter Ventimiglia, um dos diretores da firma, acorreu ao local onde recebeu do criminoso a arma do crime.

Fonte: Folha de S. Paulo de 25 de julho de 1962 / Blog Maringá Maringá / Acervo Maringá Histórica.

7 comentários:

  1. Eu ja estava fora de Maringá quando isso ocorreu. Porém, prá mim, e digo isso com convicção, essa história sobre as razões que levaram o Américo Dias Ferraz a assassinar o gerente da Simca, definitivamente não foi bem contada. Que ele matou, matou mesmo. Mas, o temor de um incidente internacional do Brasil com o país de origem da vítima, certamente fez com que os fatos fossem acomodados, dando-lhe feições de cunho puramente comercial motivadas por suposto descontrole emocional do Américo Dias Ferraz que tinha apenas 38 anos de idade, mal começando sua vida comercial. Tinha a seu favor todo o tempo do mundo prá se refazer do insucesso no seu empreendimento comercial. Já já havia vencido antes problemas financeiros enormes com sua "cafeeira" e, nem por isso praticou qualquer desatino. Chegou até a "sair" de Maringá, por dívidas. Mas, enfim, ficou valendo essa história aí. Considerando aquele época, da terrível crise do café que abalou o Brasil, ele até que fez algumas coisas boas para a cidade.

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  2. Oi, Miguel, não deixe de colocar o link para o Maringá, Maringá, ajuda nos acessos. Obrigado e, de novo, parabéns pelo trabalho. Assim que tiver um tempo, vou colocar algumas coisas no blog que podem te interessar. Abraços

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  3. Olá meu amigo Gustavo.

    Linkei nas fontes (rodapé da postagem).

    Abs.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Sou neto do sr. Américo mas não sei dos acontecimentos, então estou conhecendo por matérias como essa!

    Obrigado!

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  6. Acabei de voltar da França onde passei algumas semanas e por acaso conheci a viúva do Sr. René Roig. Essa distinta senhora, que adora o Brasil, estava visitando a casa de campo da minha tia, na Normandia. É uma coincidência incrível, pois ela me relatou com muita discrição o assassinato. Fiquei muito triste de descobrir que o crime foi realizado por um paranaense como eu ... especialmente na região que meus tios ajudaram a construir!! Realmente temos que civilizar nosso país.

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