16 de abr de 2009

A verdade sobre a Companhia de Terras Norte do Paraná

Para uma simplista e superficial explanação sobre a história dos primórdios da cidade canção, exalta-se a Companhia de Terras Norte do Paraná - CTNP, como a única desbravadora de todo o norte novíssimo deste estado. Entretanto devemos entender as reais razões que fizeram o britânico Simon Joseph Fraser, o Lord Lovat, embarcar no navio inglês Araguaya em fins de 1923, rumando ao Brasil.

Lord Lovat era diretor técnico da Sudan Platations Syndicate e tinha a incumbência nesta Missão de realizar estudos de viabilidade para investimento de capital britânico em solo brasileiro. Fato este já colocado como controverso no Livro Maria do Ingá de José Hilário, quando o autor cita outro livro: Londres-Londrina de José Joffily: “...a política econômica inglesa apressava a liquidação de créditos no Exterior [...] Jamais levar divisas para fora da ilha [...] ...”. Entre outras citações contraditórias da história, a Missão chefiada pelo Lord Motangu, não havia sido convidada pelo presidente da república do Brasil Arthur Bernardes (foto ao lado. Presidente do Brasil de 15/11/1922 a 15/11/1926). Eles vieram pelas preocupações com a nossa inadimplência, pois além de estarmos em atraso com antiga dívida, ainda solicitávamos mais 25 milhões de libras. Desta forma, o Governo Nacional Brasileiro via sua salvação nesta expedição britânica.

No dia 1º. de janeiro de 1924 chegava a Missão Montagu no Rio de Janeiro, após 14 dias de reuniões com empresários e lideranças cariocas, a 15 de janeiro do mesmo ano, chegou em São Paulo, onde o Jornal Folha de São Paulo publicou uma nota informando a chegada dos ilustres ingleses em terras paulistas, citando em dado momento que Lord Lovat partiria em expedição às terras do Paraná, onde estudaria a exploração de madeiras. Neste ponto encontramos o primeiro dado relevante, a exploração e extração de madeiras do Paraná e a sua respectiva pirataria para a Inglaterra.

Sobre esta ótica, o mesmo jornal publicou em 16 de janeiro de 1924, uma matéria paga sobre a Estrada de Ferro São Paulo-Paraná. Esta publicação chegaria nas mãos de Lord Lovat, que viu uma vez mais uma forma de levantar riquezas nesta localidade. Na época os dirigentes da Estrada de Ferro estavam sem recursos para atingir seu objetivo (Ourinhos-SP – Cambará-PR). O Lord saindo de São Paulo, foi entrevistado, onde citou o interesse de investir capital britânico no país, buscando o mesmo objetivo que tinham quando investiram no Sudão, o algodão. Em muitos momentos esta foi a história encarada como verdade absoluta em alguns meios históricos, sobre a penetração da Companhia no Norte Paranaense.

Quem foi o responsável pelo encontro entre o Lord Lovat e os proprietários da Estrada de Ferro São Paulo-Paraná foi o engenheiro Gastão de Mesquita Filho, que vislumbrava a época a comissão do negócio. Visto que os fatores de convencimento que levaram a decisão de Lorde Lovat foram os que o engenheiro argumentou no jantar histórico em que participaram: Willie Davids (Prefeito de Jacarezinho), Leovigildo Barbosa Ferraz, Antônio Ribeiro dos Santos, Gabriel Ribeiro dos Santos e Manoel da Silveira Corrêa. Após a negativa de Barbosa Ferraz, na oferta de 15 mil contos de réis as terras da fazenda Agua do Bugre por parte do Lord, Gastão de Mesquita chamou a atenção de Lovat para as terras esquecidas do Paraná, as quais o Governo oferecia a quem chegasse primeiro, completou dizendo que o ideal seria a compra das terras esquecidas a preços extremamente baixos, depois desta ação, a compra da Ferrovia e seu respectivo prolongamento, tal engenheiro ainda garantiria o escoamento das madeiras e outros produtos agrícolas pelo porto de Santos a Inglaterra, assim a referida linha férrea valorizaria em até mil por cento as terras em todo seu entorno. O corretor daquele momento, mais interessado em seu comissionamento, aproveitou o ensejo e estendeu o mapa o Paraná sobre a mesa, melhor explicando os traçados e visualizando as possibilidades.

Mapa publicado na Folha de São Paulo em 16 de janeiro de 1.924. (CORRÊA, 1.991, pág., 38)


Lord Lovat neste exato momento despertou o interesse pelas terras fertilíssimas do Norte do Paraná, vislumbrando inúmeras possibilidades de lucros exorbitantes. Enfim, foram dados os primeiros passos da Companhia de Terras Norte do Paraná, pois logo após esta negociação, Lord transmitiria um telegrama para o gerente da Sudan Plantations, Arthur Huge Miller Thomas, para encontrá-lo em Londres, onde conversariam sobre o novo empreendimento.

Artigo escrito em 25 de Fevereiro de 2009, publicado no jornal O Diário do Norte do Paraná em 17 de março de 2009, página A2 – Artigo. A Referência do Mapa da Folha de São Paulo, foi retirada do livro "Trem de Ferro" de José Hilário e a foto do Presidente Arthur Bernardes foi retirada do site: www.planalto.gov.br/Infger_07/presidentes/gale.htm.

5 comentários:

  1. Miguel, não foi só a CMNP quem colonizou o norte e o noroeste do Paraná. Enio Pipino, com a SINOP também participou do pioneirismo de Maringá logo a seguir. O nome da SINOP se não estou enganado era ou é Sociedade Imobiliaria do Norte do Paraná. O mais interessante é que o ENIO morava também em Maringá. O maringaense Amancio José Rodrigues foi advogado da SINOP e sabe coisas incríveis sobre Maringá.


    Um abraço. M.A.T.

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  2. ACHEI MTO INTERESSANTE A HISTÓRIA POOIS ATÉ ENTAUM NÃO SABIA AO CERTO COMO TUDO ACONTECERA

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  3. inclusive pelo que sei foi Enio Pipino que fez a demarcação das terras da cidade de Maringá , projetando para que fosse uma cidade totalmenta planejada , a Sinop teve um papel importantissímo também na formação e colonização de todo norte do Paraná pois foi ela quem colonizou toda a região ,Maringá é uma das cidades mais lindas do país portanto não foi somente a cianorte responsavel para este desenvolvimento que muito antes disso já estava desbravada pelo Enio Pipino

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  4. De seu escritório em Maringá, Enio Fioravante Pipino comandava a abertura de glebas em vasta região que se estendia ao atual município de Ubiratã, próximo ao rio Piquiri. Mas não são só flores. Todas as companhias colonizadoras mantinham um exército de jagunços e pistoleiros para desalojar as famílias de posseiros que tinham direito à posse das terras, mesmo não tendo as escrituras. Gostei do resgate histórico por revelar o real objetivo da vinda dos capitalistas ingleses ao Brasil. Silvestre Duarte, de Curitiba.

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  5. Tenho uma dúvida e peço a gentileza de me ajudarem, pelo que fico muito agradecido:
    Companhia de Terras Norte do Paraná e Companhia Melhoramento Norte do Paraná são duas empresas diferentes ou é a mesma empresa, ou uma é subsidiária da outra? Um grande abraço. Silvestre Duarte, de Curitiba

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